EHBSB
Equipe Hospital Brasília - Equipe Hospital Brasília Atualizado em 17/06/2026

Oftalmologia

6 minutos de leitura

Catarata no olho: sintomas que merecem atenção e cuidado médico

Sua visão parece embaçada ou as cores estão desbotadas? Conheça os principais sintomas da catarata, entenda as causas e saiba quando procurar um oftalmologista.

Resuma este artigo com IA:

Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

GoogleFavoritar no Google
cataratas no olho sintomas.jpg

Entenda os sinais que indicam a opacificação do cristalino, uma condição progressiva que é a principal causa de cegueira reversível.

Começa de forma sutil. A legenda do filme na televisão parece um pouco borrada, ou dirigir à noite se torna mais desafiador por causa do brilho dos faróis. Muitas pessoas atribuem essas dificuldades à idade ou ao cansaço, sem perceber que podem ser os primeiros sinais de catarata, uma condição ocular muito comum e progressiva.

De acordo com o Ministério da Saúde, essa condição é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, mas pode ser corrigida. E o envelhecimento é a causa mais comum no surgimento da catarata no olho.

O que é a catarata e como ela afeta a visão?

A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural e transparente que temos dentro do olho. Sua função é semelhante à de uma lente de câmera: ajustar o foco para que possamos enxergar com nitidez em diferentes distâncias. Ao contrário de dores agudas que exigem atenção imediata, o desenvolvimento da catarata geralmente é um processo lento, associado ao envelhecimento. Com o tempo, as proteínas que formam o cristalino podem se aglomerar, tornando-o opaco e amarelado.

Quando isso acontece, a luz não consegue mais atravessar o cristalino de forma clara para chegar à retina, no fundo do olho. O resultado é uma perda gradual da qualidade da visão. A condição geralmente avança lentamente e sem dor, afetando um ou ambos os olhos em ritmos diferentes.

Quais são os principais sintomas da catarata?

Os sinais da catarata podem variar conforme o tipo e o estágio da doença. No entanto, alguns sintomas são mais frequentes e servem como um importante alerta para buscar avaliação médica especializada. A seguir, listamos os mais comuns.

Visão embaçada ou nublada

Este é o sintoma mais característico da catarata. A pessoa passa a ter a sensação de que está olhando através de um vidro embaçado ou de uma névoa constante. Atividades cotidianas, como ler um livro ou reconhecer rostos, tornam-se progressivamente mais difíceis. A visão embaçada ou a perda gradual da nitidez visual são sinais cruciais que indicam a presença da catarata. Essa opacidade ocular merece atenção imediata, da mesma forma que outras dores intensas no corpo exigem socorro urgente. É fundamental não ignorar essa alteração visual, buscando um profissional de saúde o mais rápido possível.

Sensibilidade aumentada à luz (fotofobia)

A luz do sol, lâmpadas fortes ou os faróis de carros podem se tornar muito incômodos, causando ofuscamento e a necessidade de semicerrar os olhos. Esse desconforto ocorre porque a opacidade do cristalino espalha a luz de forma irregular dentro do olho.

Halos ao redor de luzes e dificuldade para enxergar à noite

É comum que pacientes com catarata vejam "auras" ou halos ao redor de pontos de luz, especialmente à noite. Essa distorção, somada à diminuição do contraste, torna tarefas como dirigir no período noturno particularmente perigosas.

Percepção de cores alterada

Com a progressão da catarata, o cristalino pode adquirir um tom amarelado ou acastanhado. Isso funciona como um filtro, fazendo com que as cores pareçam menos vivas e desbotadas. O azul pode parecer cinza, e o branco pode ter uma tonalidade amarelada.

Visão dupla em um dos olhos (diplopia monocular)

A catarata pode causar a percepção de imagens duplas ou múltiplas em um único olho. Esse sintoma geralmente desaparece quando o olho afetado é coberto. É um sinal que exige atenção, pois a visão dupla também pode estar associada a outras condições neurológicas ou musculares.

Mudanças frequentes no grau dos óculos

A necessidade de trocar as lentes dos óculos ou de contato com frequência pode indicar o desenvolvimento da catarata. Em alguns casos, pacientes que precisavam de óculos para perto podem, temporariamente, passar a enxergar melhor sem eles, um fenômeno conhecido como "segunda visão", que desaparece com o avanço da doença.

Perda da visão de contraste

Diferenciar objetos de fundos com cores ou tons semelhantes se torna mais difícil. Por exemplo, pode ser complicado ver um degrau de uma escada de cor uniforme ou identificar um objeto escuro em um ambiente com pouca luz. Isso aumenta o risco de quedas, principalmente em idosos.

O que pode causar a catarata?

Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, outras condições e hábitos podem acelerar o desenvolvimento da catarata. Conhecer as causas ajuda na prevenção e no monitoramento da saúde ocular.

  • Idade: a maioria dos casos está relacionada ao processo natural de envelhecimento do corpo.
  • Diabetes: níveis elevados de açúcar no sangue podem alterar as proteínas do cristalino.
  • Exposição solar: a radiação ultravioleta (UV) sem proteção adequada ao longo da vida contribui para a opacificação.
  • Tabagismo e alcoolismo: o consumo de tabaco e álcool aumenta o estresse oxidativo nas células oculares.
  • Uso de medicamentos: o uso prolongado de corticoides, seja oral, inalatório ou em colírios, é um fator de risco conhecido.
  • Traumas oculares: uma lesão ou cirurgia prévia no olho pode levar à formação de catarata traumática.
  • Infecções bacterianas: algumas infecções bucais, como as causadas pela bactéria Porphyromonas gingivalis, podem estar relacionadas ao desenvolvimento da catarata, sugerindo uma conexão entre a saúde bucal e ocular.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da catarata é realizado por um médico oftalmologista durante uma consulta de rotina. O profissional irá dilatar a pupila do paciente com colírios para examinar o cristalino e outras estruturas internas do olho em um aparelho chamado lâmpada de fenda. Exames de alta precisão, como a biomicroscopia ultrassônica de 35 MHz (UBM), também são utilizados para avaliar parâmetros biométricos do segmento anterior, especialmente em casos de catarata pediátrica.

Exames complementares podem ser solicitados para avaliar a qualidade da visão e descartar outras doenças, como o glaucoma, que também pode apresentar sintomas semelhantes em estágios iniciais.

Quando a cirurgia de catarata é indicada?

A cirurgia é o único tratamento definitivo para a catarata. Ela é recomendada quando a perda de visão começa a interferir significativamente na qualidade de vida e na realização de atividades diárias, como ler, dirigir ou trabalhar.

O procedimento consiste na remoção do cristalino opaco e sua substituição por uma lente intraocular artificial e transparente. A decisão sobre o momento ideal para operar deve ser tomada em conjunto entre o paciente e o oftalmologista, considerando as necessidades individuais de cada um.

É possível prevenir ou reverter a catarata sem cirurgia?

Não existe tratamento clínico, colírio ou exercício capaz de reverter a opacidade do cristalino depois que ela se instala. A prevenção está focada em controlar os fatores de risco. Medidas como usar óculos de sol com proteção UV, manter o diabetes sob controle, não fumar e ter uma dieta rica em antioxidantes podem ajudar a retardar o seu aparecimento.

Consultas oftalmológicas regulares são fundamentais para o diagnóstico precoce e o acompanhamento da progressão da doença, garantindo que o tratamento seja realizado no momento certo para preservar a saúde e a independência visual.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

BRASIL. Ministério da Saúde. OMS alerta que 285 milhões de pessoas no mundo têm a visão prejudicada. Brasília, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/fevereiro/oms-alerta-que-285-milhoes-de-pessoas-no-mundo-tem-a-visao-prejudicada. Acesso em: 09 jun. 2026.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Cataract. Regional Office for the Eastern Mediterranean. Disponível em: https://www.emro.who.int/health-topics/cataract/. Acesso em: 09 jun. 2026.

DEGUCHI, S. et al. Combination of lanosterol and nilvadipine nanosuspensions rescues lens opacification in selenite-induced cataractic rats. Pharmaceutics, [S. l.], v. 14, n. 7, p. 1-18, jul. 2022. Disponível em: https://www.mdpi.com/1999-4923/14/7/1520. Acesso em: 09 jun. 2026.

DÍEZ-MONTERO, C. et al. Relationship between the main components of the crystalline lens and the anterior chamber depth after cataract formation. Graefe's Archive for Clinical and Experimental Ophthalmology, [S. l.], abr. 2023. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00417-023-06080-7. Acesso em: 09 jun. 2026.

ISHIDA, H. et al. Lutein plus water chestnut (Roxb.) extract inhibits the development of cataracts and induces antioxidant gene expression in lens epithelial cells. BioMed Research International, [S. l.], 19 maio 2020. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/2020/9204620. Acesso em: 09 jun. 2026.

KHOKHAR, S. et al. The use of 35 MHz ultrasonic biomicroscopy (UBM) to assess the biometric parameters of the anterior segment in pediatric cataractous eyes. Indian Journal of Ophthalmology, 2025. Disponível em: https://journals.lww.com/ijo/fulltext/2025/05000/the\_use\_of\_35\_mhz\_ultrasonic\_biomicroscopy\_\_ubm\_.14.aspx. Acesso em: 09 jun. 2026.

ZHANG, D. et al. Macrophage-hosted Porphyromonas gingivalis is a risk factor for cataract development. Investigative Ophthalmology & Visual Science, [S. l.], v. 66, n. 4, p. 68, abr. 2025. Disponível em: https://iovs.arvojournals.org/article.aspx?articleid=2802910. Acesso em: 09 jun. 2026.

Escrito por
EHBSB
Equipe Hospital BrasíliaEquipe Hospital Brasília
Escrito por
EHBSB
Equipe Hospital BrasíliaEquipe Hospital Brasília