
Entenda cada etapa do procedimento, desde a preparação até o que acontece na sala de exame, e tire suas principais dúvidas.
Você sai do consultório médico com um pedido em mãos: ressonância magnética. Imediatamente, diversas dúvidas podem surgir, especialmente se é a sua primeira vez. O aparelho é fechado? O barulho é muito alto? O contraste é seguro? Essas preocupações são comuns e perfeitamente normais.
Compreender o que esperar do exame é o primeiro passo para realizá-lo com mais calma e confiança. Este guia foi criado para explicar, de forma clara e detalhada, como a ressonância magnética é feita, ajudando você a se sentir mais preparado e seguro.
O que é o exame de ressonância magnética?
A ressonância magnética (RM) é um exame de diagnóstico por imagem que cria figuras detalhadas de órgãos, tecidos e estruturas internas do corpo. Diferente da tomografia computadorizada ou do raio-x, ela não utiliza radiação ionizante, o que a torna um método bastante seguro.
Em vez de radiação, o equipamento usa um campo magnético potente, ondas de rádio e um computador para gerar as imagens. O campo magnético alinha temporariamente as moléculas de água do corpo, e as ondas de rádio fazem com que elas produzam sinais, que são captados e convertidos nas imagens que o médico radiologista irá analisar.
Como se preparar para o dia do exame?
A preparação adequada é essencial para o sucesso do exame. As orientações podem variar de acordo com a área do corpo a ser examinada e se haverá ou não o uso de contraste. No entanto, algumas recomendações gerais são bastante comuns.
A equipe da clínica fornecerá instruções detalhadas, mas as principais orientações geralmente incluem:
- Jejum: para exames do abdômen ou pelve, pode ser necessário um jejum de 4 a 6 horas. Para outras partes do corpo, como joelho ou crânio, o jejum geralmente não é exigido. Confirme sempre a orientação para o seu caso.
- Remoção de metais: o campo magnético do aparelho é extremamente forte e atrai objetos metálicos. Por isso, é obrigatório remover todos os itens como joias, relógios, óculos, piercings, aparelhos auditivos e roupas com zíper ou botões de metal.
- Informar sobre implantes: é fundamental avisar a equipe médica se você possui algum implante metálico no corpo, como marca-passo, implante coclear, clipes de aneurisma cerebral ou próteses. Alguns desses dispositivos são contraindicações absolutas para o exame.
- Medicações: informe sobre todos os medicamentos de uso contínuo. Na maioria dos casos, eles podem ser tomados normalmente, mas é importante que a equipe saiba.
O que acontece passo a passo durante a ressonância?
Conhecer o processo ajuda a diminuir a ansiedade. Desde a sua chegada à clínica até o fim do procedimento, você será acompanhado por uma equipe de técnicos e enfermeiros. O processo geralmente segue estas etapas:
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Recepção e questionário: ao chegar, você responderá a um questionário detalhado sobre seu histórico de saúde, alergias e a presença de qualquer metal no corpo.
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Troca de roupa: você receberá uma vestimenta apropriada para o exame, como um avental hospitalar, para garantir que não haja nenhum metal em sua roupa.
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Acesso venoso (se necessário): caso seu exame precise de contraste, um profissional de enfermagem fará a punção de uma veia, geralmente no braço ou na mão, para inserir um cateter por onde a substância será injetada durante o exame.
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Posicionamento na maca: você será convidado a deitar em uma maca motorizada. O técnico irá posicioná-lo confortavelmente, utilizando almofadas e suportes para ajudar a manter a imobilidade. Uma "bobina" (dispositivo que ajuda a captar o sinal) pode ser colocada sobre a área a ser examinada.
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Entrada no equipamento: a maca deslizará suavemente para dentro da abertura do aparelho de ressonância, que tem a forma de um túnel. Você receberá protetores de ouvido ou fones de música para abafar o ruído e um dispositivo de comunicação para falar com o técnico a qualquer momento.
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Realização das imagens: durante a aquisição das imagens, o aparelho produzirá ruídos altos e intermitentes, que parecem batidas. Isso é normal e indica que o exame está em andamento. Sua única tarefa é permanecer o mais imóvel possível. Qualquer movimento pode borrar as imagens e comprometer o resultado.
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Injeção de contraste (se aplicável): em um determinado momento, o exame pode ser pausado para a injeção do contraste de gadolínio. Você pode sentir um leve gosto metálico na boca ou uma sensação de frio no braço, o que é normal e passa rapidamente.
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Finalização: ao final da aquisição de todas as imagens necessárias, a maca deslizará para fora do equipamento e o exame estará concluído.
Em certas avaliações por imagem, como a identificação de corpos estranhos, a ressonância magnética pode ser realizada sem o uso de contraste. Isso evita a necessidade de injeção de substâncias adicionais.
Quanto tempo dura o procedimento?
A duração de uma ressonância magnética varia consideravelmente. Exames mais simples, de uma articulação como o joelho, podem levar de 15 a 30 minutos. Já exames mais complexos, como do abdômen ou do crânio com protocolos específicos, podem durar de 45 a 90 minutos.
O tempo exato será informado pela equipe no dia do seu exame. Lembre-se que a colaboração em permanecer imóvel é crucial para que o procedimento não precise ser estendido ou repetido.
É normal sentir medo ou claustrofobia?
Sim, é absolutamente normal sentir apreensão, especialmente em relação ao espaço fechado e ao ruído. Os equipamentos modernos de ressonância estão cada vez mais projetados para o conforto do paciente, com túneis mais curtos e largos.
Se você tem receio de lugares fechados, converse abertamente com a equipe no momento do agendamento. Existem estratégias para ajudar:
- Comunicação constante: você estará sempre em contato com o técnico por meio de um intercomunicador.
- Música: muitos serviços oferecem fones de ouvido com música para ajudar a relaxar e diminuir a percepção do ruído.
- Técnicas de relaxamento: concentrar-se na respiração, contando lentamente ao inspirar e expirar, pode ajudar a manter a calma.
- Sedação: em casos de claustrofobia intensa, o médico pode indicar a realização do exame sob sedação leve para garantir seu conforto e a qualidade das imagens.
O que acontece após o término do exame?
Após a ressonância magnética, você pode retomar suas atividades normais imediatamente. Se foi utilizado contraste, a recomendação é beber bastante líquido nas horas seguintes para ajudar o corpo a eliminar a substância.
Caso o exame tenha sido feito com sedação, você precisará de um acompanhante para levá-lo para casa e não deverá dirigir ou operar máquinas pelo resto do dia.
As imagens geradas serão analisadas por um médico radiologista, que emitirá um laudo detalhado. O resultado fica geralmente disponível em alguns dias e deve ser levado ao médico que solicitou o exame para interpretação e definição dos próximos passos.
Quais diagnósticos a ressonância magnética pode auxiliar?
Por sua alta resolução de imagem para tecidos moles, a ressonância magnética é uma ferramenta valiosa para investigar uma vasta gama de condições. Ela é frequentemente utilizada para avaliar:
- Cérebro e medula espinhal: detecção de tumores, acidentes vasculares cerebrais (AVC), esclerose múltipla e hérnias de disco. A ressonância magnética cerebral também auxilia na investigação de condições específicas, como em pessoas que vivem com HIV.
Nesses casos, a RM pode ajudar a identificar alterações relacionadas a níveis elevados de marcadores inflamatórios, como TNF-α e Proteína C Reativa (PCR). Tais marcadores estão associados a um desempenho mais fraco em tarefas de raciocínio abstrato.
- Articulações: análise de lesões em ligamentos, tendões e cartilagens do joelho, ombro, punho e tornozelo.
- Abdômen e pelve: investigação de doenças no fígado, rins, pâncreas, útero e ovários.
- Mamas: usada como exame complementar à mamografia, principalmente em pacientes de alto risco ou para avaliar a extensão de um câncer já diagnosticado. Contudo, a ressonância magnética da mama não é um exame de rotina, sendo geralmente solicitada em situações específicas.
Exemplos incluem pacientes com implantes mamários ou para monitorar a resposta ao tratamento neoadjuvante do câncer. Para subtipos específicos de câncer de mama, a RM é também uma ferramenta crucial para a detecção precoce e o tratamento de lesões no sistema nervoso central, como metástases cerebrais. Essa capacidade de detecção ajuda significativamente no manejo da doença e na melhoria da qualidade de vida da paciente.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.



