
Entenda como as gorduras insaturadas e os fitoesteróis presentes no grão interagem com o perfil lipídico do organismo.
Você pega o resultado do exame de sangue, nota o colesterol alterado e logo começa a repensar os lanches diários. Aquele punhado de amendoim, tão comum na rotina, costuma ser um dos primeiros alvos de desconfiança. Existe um receio frequente de que os alimentos ricos em gorduras prejudiquem diretamente a saúde cardiovascular, levando ao corte de opções nutritivas.
A verdade é que o amendoim não aumenta o colesterol ruim quando consumido na sua forma natural. A leguminosa oferece um perfil de nutrientes que atua como aliado do coração. O segredo para obter esses benefícios reside na forma de preparo e no tamanho da porção diária.
O Hospital Brasília conta com clínicos gerais renomados que podem avaliar as causas do colesterol elevado de maneira primária, além de orientar o tratamento e acompanhar o controle do quadro de forma individualizada.
O Centro de Medicina e Especialidades do Hospital Brasília funciona de segunda a sexta. Para agendar sua consulta, ligue: + 55 4020-0057 ou dirija-se a SHIS QI 15, Bloco G – Setor de Habitações Individuais Sul.
Como o amendoim age no perfil lipídico do organismo?
O perfil lipídico mede as taxas de gordura no sangue, avaliando frações como o LDL (conhecido como colesterol ruim) e o HDL (o colesterol bom). O amendoim fornece uma alta concentração de gorduras monoinsaturadas, com destaque para o ácido oleico. Esse tipo de lipídio ajuda o corpo a equilibrar as taxas circulantes e protege o sistema cardiovascular contra danos.
Nesse entendimento, o amendoim é considerado como uma fonte de gordura monoinsaturada. No geral, elas ajudam a reduzir o colesterol “ruim” (LDL) e ajudam na proteção da saúde do coração.
A leguminosa crua também concentra fitoesteróis e ácidos graxos essenciais. Essas substâncias vegetais possuem estrutura similar ao colesterol humano e competem com ele durante o processo digestivo. Essa competição reduz a absorção intestinal do LDL, impedindo o acúmulo excessivo de gordura na corrente sanguínea.
Além dessas substâncias, o amendoim também tem resveratrol, ácidos fenólicos e flavonoides. A proteína também é rica em arginina, que é um aminoácido que pode melhorar a circulação do sangue, diminuir a pressão arterial e também colaborar no tratamento de doenças cardíacas.
O consumo regular e moderado do grão não altera negativamente as frações de lipídios no sangue. Pelo contrário, as gorduras insaturadas colaboram com a integridade dos vasos sanguíneos e auxiliam na manutenção dos níveis adequados de HDL.
Aqui vale um ponto de atenção: não é porque o alimento possui benefícios que ele deve ser incluído na dieta de maneira massiva. Esses grãos devem ser incluídos em poucas quantidades durante as refeições. No geral, é recomendado que seja consultado um nutrólogo para o acompanhamento desses índices de colesterol antes do consumo desses grãos.
Leia também: O que é o colesterol bom e como cuidar dele?
Quem tem colesterol alto pode comer amendoim?
Pessoas em acompanhamento para alterações de colesterol podem incluir o amendoim na dieta. O grão in natura não contém colesterol, substância restrita aos alimentos de origem animal. Substituir lanches ultraprocessados por fontes vegetais de gorduras saudáveis contribui diretamente para a redução dos fatores de risco cardíaco.
Evidências científicas demonstram que o consumo moderado da leguminosa não eleva o LDL e ainda favorece a saúde das artérias. O alimento oferece fibras, minerais e proteínas vegetais que aumentam a saciedade sem desregular o perfil lipídico.
Qual a melhor opção entre amendoim torrado cru e em pasta?
O impacto do amendoim na saúde depende diretamente da forma de preparo. Cerca de metade do grão é composta por lipídios vegetais bastante estáveis, que se mantêm preservados mesmo após a torra. Veja as principais características de cada versão:
- Amendoim cru ou torrado sem sal: preserva as gorduras benéficas e os compostos antioxidantes sem acrescentar sódio, o que resguarda os vasos sanguíneos e a pressão arterial.
- Pasta de amendoim integral: mantém os mesmos nutrientes do grão inteiro, desde que contenha apenas amendoim na lista de ingredientes, sem adição de óleos hidrogenados ou açúcares.
- Amendoim japonês e paçoca: trazem coberturas ricas em farinha refinada, açúcar e excesso de sal, ingredientes que desequilibram o metabolismo e aumentam o risco cardiovascular.
Existe relação entre o consumo de amendoim e os triglicerídeos?
Os triglicerídeos sobem principalmente com o consumo exagerado de açúcares, farinhas brancas e excesso calórico total. O amendoim puro apresenta baixo índice glicêmico e contém ácidos graxos benéficos que não estimulam picos de glicose ou elevação aguda de triglicerídeos.
O consumo pontual ou contínuo do grão não descontrola as gorduras circulantes no período após as refeições. O problema surge apenas nas versões doces e ultraprocessadas, que concentram carboidratos simples capazes de alterar os exames laboratoriais.
Qual a quantidade de amendoim recomendada por dia?
Apesar de conter gorduras protetoras, o amendoim possui alta densidade energética. O consumo em excesso pode ultrapassar as necessidades calóricas diárias, favorecendo o ganho de peso corporal.
A porção recomendada para a rotina diária gira em torno de 30 gramas, equivalente a um punhado pequeno ou a uma colher de sopa cheia de pasta integral. Essa medida fornece os lipídios saudáveis necessários para a proteção cardiovascular sem sobrecarregar a ingestão calórica.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
Medical News Today. Are peanuts good or bad for cholesterol? Disponível: https://www.medicalnewstoday.com/articles/are-peanuts-good-for-cholesterol. Acesso em: 24 ago. 2026.
Parilli-Moser I, et.al. Effect of Peanut Consumption on Cardiovascular Risk Factors: A Randomized Clinical Trial and Meta-Analysis. Front Nutr. 2022 Apr 1;9:853378. doi: 10.3389/fnut.2022.853378. PMID: 35433776; PMCID: PMC9011914. Disponível: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9011914/#s5. Acesso em: 24 ago. 2026.
BARBOUR, J. A. et al. Effect of 12 weeks high oleic peanut consumption on cardio-metabolic risk factors and body composition. Nutrients, v. 7, n. 9, set. 2015. Disponível: https://www.mdpi.com/2072-6643/7/9/5343. Acesso em: 24 ago. 2026.
CAO, D. et al. Coordinated lipid mobilization during seed development and germination in peanut (Arachis hypogaea L.). Journal of Agricultural and Food Chemistry, 29 dez. 2023. DOI: https://pubs.acs.org/jafcau/article/72/6/3218/175171/Coordinated-Lipid-Mobilization-during-Seed.
COHEN, C. G.; et.al. Molecular profiling of peanut under raw, roasting, and autoclaving conditions using high-resolution magic angle spinning and solution H NMR spectroscopy. Molecules, v. 29, n. 1, p. 162, dez. 2023. Disponível: https://www.mdpi.com/1420-3049/29/1/162. Acesso em: 24 ago. 2026.
FU, J. et al. Widely targeted metabolomics method reveals differences in volatile and nonvolatile metabolites in three different varieties of raw peanut by GC–MS and HPLC–MS. Molecules, v. 29, n. 22, art. 5230, nov. 2024. Disponível: https://www.mdpi.com/1420-3049/29/22/5230. Acesso em: 24 ago. 2026.
LIU, X. et al. Acute peanut consumption alters postprandial lipids and vascular responses in healthy overweight or obese men. The Journal of Nutrition, mar. 2017. Disponível: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022316622107509?via%3Dihub. Acesso em: 24 ago. 2026.


