
Conhecer os primeiros sinais é fundamental para um diagnóstico rápido e para o tratamento adequado.
Fadiga inexplicável e visão turva podem ser mais que cansaço. Esses sinais, muitas vezes sutis, podem ser facilmente ignorados. No entanto, eles podem ser os primeiros indícios da esclerose múltipla.
O que é a esclerose múltipla e por que causa tantos sintomas?
A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune crônica que atinge o sistema nervoso central (SNC), formado pelo cérebro e pela medula espinhal. No processo, o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, uma camada protetora que reveste as fibras nervosas.
Esse dano, chamado de desmielinização, interfere na comunicação entre o cérebro e o resto do corpo. Assim, os sintomas podem ser extremamente variados, dependendo da área do SNC que foi afetada.
Quais são os primeiros sinais da esclerose múltipla?
Os sintomas iniciais costumam ser transitórios e podem variar muito de uma pessoa para outra. Contudo, alguns padrões são mais comuns e servem como um importante sinal de alerta para a busca de avaliação médica especializada.
Problemas visuais
Frequentemente, um dos primeiros sinais é a neurite óptica, uma inflamação do nervo óptico. Ela pode causar:
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Visão embaçada ou turva em um dos olhos;
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Dor ao movimentar os olhos;
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Perda parcial da visão de cores;
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Visão dupla (diplopia).
É importante destacar que, em alguns casos, problemas visuais como a visão turva podem ser as únicas manifestações iniciais da esclerose múltipla. Por isso, a ressonância magnética é essencial para um diagnóstico precoce e seguro.
Alterações de sensibilidade
Sensações incomuns, que podem aparecer e desaparecer, são outro sintoma inicial frequente. Elas incluem:
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Formigamento ou dormência (parestesia) no rosto, braços, pernas ou tronco;
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Sensação de choque elétrico ao mover o pescoço (sinal de Lhermitte);
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Coceira ou queimação sem causa aparente na pele.
Essas alterações de sensibilidade, juntamente com dores, afetam cerca de 60% dos pacientes com esclerose múltipla. Elas sinalizam inflamações nas vias nervosas e tornam o diagnóstico preciso por exames de ressonância magnética fundamental.
Fadiga intensa e inexplicável
A fadiga da EM é diferente do cansaço comum. Trata-se de um esgotamento avassalador que não melhora com o repouso e pode interferir nas atividades diárias mais simples. É um dos sintomas mais prevalentes e incapacitantes da condição.
Que outros sintomas podem surgir com a progressão da doença?
Com o avanço da esclerose múltipla, os danos à mielina podem se acumular, levando ao surgimento de outros sinais clínicos. A natureza e a intensidade deles dependem das áreas lesionadas no sistema nervoso central.
Sintomas Motores e de Equilíbrio: Fraqueza muscular, rigidez (espasticidade), espasmos, tremores, dificuldade para caminhar (ataxia) e perda de equilíbrio.
Cognitivos e Emocionais: Lapsos de memória, dificuldade de concentração, lentidão no processamento de informações (névoa cerebral), dificuldades na fala e alterações de humor, como depressão ou ansiedade.
Urinários e Intestinais: Urgência ou dificuldade para urinar, incontinência e constipação intestinal.
Dores Associadas: Dor neuropática (queimação, pontadas), dores de cabeça e dores musculares decorrentes da rigidez.
Como os sintomas se manifestam em surtos?
A forma mais comum da doença é a esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Nela, os sintomas surgem em episódios agudos, conhecidos como surtos, que duram dias ou semanas. Durante um surto, um novo sintoma pode aparecer ou um sintoma antigo pode piorar significativamente.
Após o surto, ocorre um período de remissão, no qual os sintomas podem desaparecer completamente ou melhorar de forma parcial. A imprevisibilidade dos surtos é um dos maiores desafios da condição.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Identificar a esclerose múltipla em seus estágios iniciais é muito importante para iniciar o tratamento o mais rápido possível. As terapias atuais são eficazes em reduzir a frequência e a gravidade dos surtos, retardando a progressão da incapacidade e ajudando a preservar a função neurológica a longo prazo.
A investigação diagnóstica envolve uma avaliação clínica detalhada com um neurologista, análise do histórico do paciente e exames complementares.
O papel da ressonância magnética no diagnóstico
A ressonância magnética (RM) é a ferramenta de imagem mais importante para diagnosticar e monitorar a esclerose múltipla. Ela permite visualizar as lesões desmielinizantes no cérebro e na medula espinhal com alta precisão, confirmando a atividade da doença.
Esses exames de imagem são fundamentais não só para visualizar as lesões, mas também para identificar outras alterações no sistema nervoso que possam explicar os diversos sintomas apresentados pelos pacientes. Isso garante um diagnóstico precoce e preciso.
Equipamentos modernos, como os de alto campo disponíveis no parque tecnológico do Hospital Brasília, unidade da Rede Américas, fornecem imagens de altíssima resolução que são essenciais para um diagnóstico diferencial preciso e para o acompanhamento da resposta ao tratamento.
Quando devo procurar um neurologista?
Sintomas neurológicos persistentes ou recorrentes nunca devem ser ignorados. Procure um médico, especialmente um neurologista, se você apresentar um ou mais dos seguintes sinais:
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Alteração súbita na visão, especialmente em um olho, com ou sem dor;
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Formigamento, dormência ou fraqueza que se espalha ou persiste por dias;
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Perda de equilíbrio ou dificuldade para coordenar movimentos;
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Fadiga extrema que não melhora com o descanso e atrapalha sua rotina.
A avaliação de um especialista é o único caminho para obter um diagnóstico correto e iniciar o cuidado adequado, garantindo melhor controle da doença e mais qualidade de vida.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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