
A dor da cólica renal é uma das mais intensas que existem, mas a expulsão final do cálculo é um processo diferente.
Aquela pontada súbita e aguda na região lombar, que parece se espalhar para o abdômen, é um sinal de alerta clássico. Para quem já tem um diagnóstico de cálculo renal, esse pode ser o início de um processo temido: a jornada da pedra até sua eliminação pela urina. A dúvida que surge imediatamente é sobre a intensidade e a duração dessa dor.
É fundamental entender que a dor não é constante e se manifesta de formas diferentes em cada etapa do trajeto. A dor mais severa, a cólica renal, acontece muito antes de a pedra chegar ao seu destino final.
Por que a passagem de uma pedra no rim causa tanta dor?
Muitas pessoas imaginam que a dor é causada pelo atrito de uma pedra pontiaguda com as paredes do sistema urinário. Embora o cálculo possa causar irritação, a principal causa da dor intensa, a cólica renal, é mecânica e hidráulica.
Quando o cálculo deixa o rim e entra no ureter, o tubo fino e muscular que transporta a urina até a bexiga, ele pode causar uma obstrução parcial ou total. Em resposta, duas coisas acontecem:
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Espasmos do ureter: a musculatura do ureter se contrai vigorosamente na tentativa de empurrar o obstáculo para a frente. Esses espasmos são extremamente dolorosos.
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Aumento da pressão: com a passagem bloqueada, a urina se acumula no rim, dilatando-o. Esse aumento de pressão (hidronefrose) distende a cápsula que reveste o órgão, que é rica em nervos, gerando uma dor profunda e constante.
A dor aguda é resultado da combinação de contrações musculares intensas e da pressão exercida sobre o próprio rim.
Como é a dor em cada etapa da jornada do cálculo renal?
A percepção da dor muda conforme a pedra se move. Conhecer essas fases pode ajudar a diminuir a ansiedade e a identificar o momento de procurar ajuda médica.
No rim
Enquanto a pedra está alojada no rim, ela pode ser completamente assintomática. Em alguns casos, pode haver uma dor lombar crônica, em peso, que piora com a ingestão de líquidos ou atividade física, mas sem a intensidade de uma cólica.
A descida pelo ureter: a cólica renal
Esta é a fase mais dolorosa. A dor começa subitamente na região lombar (costas, abaixo das costelas) e irradia para a parte lateral do abdômen e virilha. A dor vem em ondas, com picos de intensidade insuportável seguidos de um alívio parcial, mas raramente desaparece por completo. A pessoa fica inquieta, sem encontrar uma posição que alivie o desconforto.
Na bexiga
Quando o cálculo finalmente chega à bexiga, a dor da cólica renal geralmente cessa de forma abrupta. O alívio é significativo porque a bexiga é um reservatório muito maior que o ureter, e a obstrução é resolvida. No entanto, a presença da pedra na bexiga pode causar outros sintomas, como aumento da frequência urinária, urgência para urinar e uma sensação de esvaziamento incompleto.
A expulsão pela uretra
Este é o momento final. A dor ao expelir a pedra pela uretra (o canal que leva a urina para fora do corpo) é muito diferente da cólica. Como o diâmetro da uretra é maior que o do ureter, a passagem costuma ser rápida. A sensação é descrita como uma ardência súbita, uma picada ou uma pontada aguda no momento em que a pedra passa. Para mulheres, o processo tende a ser menos doloroso devido à uretra mais curta.
Quais outros sintomas acompanham a expulsão da pedra?
Além da dor, o processo de eliminação de um cálculo renal pode vir acompanhado de outros sinais. É importante estar atento a eles, pois indicam a atividade no trato urinário.
- Sangue na urina (hematúria): a urina pode ficar com uma coloração rosada, avermelhada ou marrom.
- Ardência ou dor ao urinar (disúria): sintoma comum quando a pedra está na parte final do ureter ou já na bexiga.
- Aumento da frequência urinária: necessidade de ir ao banheiro mais vezes que o normal, mesmo eliminando pequenos volumes.
- Náuseas e vômitos: são reações comuns à dor intensa da cólica renal.
- Febre e calafrios: estes são sinais de alerta que podem indicar uma infecção associada e exigem avaliação médica imediata.
Como saber se a pedra no rim realmente saiu na urina?
O sinal mais claro de que a pedra foi eliminada é o alívio súbito e completo da dor lombar e dos sintomas urinários. Muitas pessoas relatam ouvir um pequeno "plink" quando a pedra cai no vaso sanitário. Para ter certeza, o médico pode recomendar urinar através de um filtro de papel ou uma peneira fina para capturar o cálculo.
Guardar a pedra para análise laboratorial é muito importante. A composição do cálculo ajuda o urologista a determinar a causa de sua formação e a indicar o tratamento preventivo mais adequado para evitar novas crises.
O que fazer para aliviar a dor e facilitar a passagem do cálculo?
O manejo da crise de cólica renal deve ser sempre orientado por um profissional de saúde. Medidas caseiras podem não ser suficientes e retardar o tratamento adequado. As principais recomendações médicas incluem:
- Analgesia: o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e antiespasmódicos prescritos pelo médico é a base do tratamento para controlar a dor intensa.
- Hidratação: beber bastante água é fundamental para aumentar o fluxo urinário e ajudar a "empurrar" a pedra, mas isso deve ser feito principalmente fora dos picos de dor aguda para não aumentar a pressão no rim obstruído.
- Calor local: aplicar uma bolsa de água quente na região lombar pode ajudar a relaxar a musculatura e proporcionar algum alívio.
Quando a dor de pedra no rim é uma emergência médica?
Embora a maioria das pedras pequenas seja eliminada espontaneamente, algumas situações exigem atendimento médico de urgência. Procure um pronto-socorro imediatamente se apresentar:
- Dor insuportável que não melhora com os analgésicos prescritos.
- Febre alta (acima de 38°C) e calafrios.
- Vômitos persistentes que impedem a hidratação e a medicação oral.
- Incapacidade total de urinar.
- Sangramento intenso na urina.
Lembre-se que o acompanhamento com um urologista é essencial para avaliar o tamanho e a localização da pedra, orientar o tratamento da dor e investigar as causas para prevenir a formação de novos cálculos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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